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Crianças transformam brincadeiras em exercícios físicos
Exercícios aeróbicos para crianças. Mas pode chamar de pular corda, jogar bola, se divertir. O resultado: crescer. Crescer só na altura! Perder o controle sobre as próprias medidas é uma preocupação que começa cada vez mais cedo. E só dieta não resolve o problema. Uma pesquisa feita em Belo Horizonte mostrou que manter a boa forma é muito mais do que ficar de olho na balança ou na fita métrica: é transformar grandes restrições em brincadeira de criança. É a academia da garotada, mas sem aquele jeitão de trabalhos forçados.
“Brincar, correr, caminhar, nadar, subir em árvores, pular corda são atividades de fácil acesso, baixo custo, que deveríamos utilizar mais na atualidade. Com elas, evitamos doenças metabólicas, como diabetes; alterações, fatores de risco para doença cardiovascular; doenças do coração, como arteriosclerose, que vão levar a um infarto, a uma insuficiência cardíaca; e outras complicações”, diz a fisioterapeuta Márcia Braz Rossetti, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A pesquisa – uma parceria da PUC e da UFMG – demonstrou que as brincadeiras ativas reduzem a inflamação do corpo provocada pela obesidade.
“No nosso programa, eles fizeram um esforço moderado. Ou seja, não foi exaustivo, nem muito leve. Mesmo assim, tivemos bons resultados em apenas 12 semanas. Imagine por toda uma vida!”, comenta Márcia Braz Rossetti.
Para dar certo, pais, avós, irmãos – todos têm que participar.
“Colocar à mesa um irmão comendo bife e batata frita e outro comendo peitinho de frango grelhado e salada é quase como um castigo para a criança. E quando falamos de alimentação saudável, é para toda a família. A chance de uma criança que vai à mesa em uma família que serve uma bela salada, legumes, uma alimentação saudável, incorporar aquele hábito e levá-lo para a vida inteira é muito maior do que a da criança que recebe uma dieta separada para ela”, diz a médica pediatra Adriana Reis Brasil.
Ricardo Júnior Coelho, de 11 anos, já emagreceu bastante.
“Eu tive que aprender a alimentar toda minha família corretamente para ajudar todos”, conta Maria da Penha Coelho da Silva, mãe de Ricardo.
“Eu mesmo emagreci mais de dez quilos. Isso sem a obrigação de fazer dieta, só com mudança de alimentação mesmo”, acrescenta Ricardo Coelho da Silva, pai de Ricardo.
A família toda torce por Ricardo.
“Muitas vezes ele me chamou para pular corda ou fazer caminhada. Eu olhava para a minha mãe e pensava que esse projeto fez milagre para quem ficava só no videogame e hoje me chama para fazer caminhada”, comenta Jaqueline Coelho da Silva, irmã de Ricardo.
Em casa, a combinação foi assim: a bola, que antes era inimiga das vidraças e da tranquilidade doméstica, agora está sempre rolando no quintal.
“A brincadeira forma vínculos afetivos. Então, além de se exercitar e liberar endorfinas, você faz trocas afetivas”, ressalta a psicóloga Valéria Tassara, do Hospital das Clínicas da UFMG.
“A criança e o adolescente perdem aquele foco de prazer na comida e passam a adquirir prazer em atividades do lado de fora, brincando, induzindo maior socialização e outros benefícios”, constata Márcia Braz Rossetti.
As pesquisadoras comprovaram: para perder peso, todo mundo tem que jogar no mesmo time.
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Tudo sobre Beleza
Obesidade é uma doença do corpo e da alma
Nenhum pai precisa ser um craque para se tornar o jogador preferido no time do filho. Leonardo Aiello Banzoli, de 11 anos, nem lembra quanto tempo fazia que o pai não jogava futebol com ele. Para o empresário Ricardo Banzoli Filho, que chegou a pesar mais de 150 quilos, voltar a brincar com o filho foi um caminho longo e difícil.
“O que me motivou a buscar a cirurgia foi a dificuldade que eu tinha de brincar com meu filho no dia a dia. Quando eu chegava em casa, a primeira pergunta era: ‘Pai, o que nós vamos fazer? Do que nós vamos brincar?’”, lembra Ricardo.
“A obesidade é uma doença do corpo, mas é, principalmente, uma doença da alma. O cara não vai correr com o filho no parque porque ele se sente ridículo. Doença da alma é quando a filha fala: ‘Mãe, eu não queria que a senhora fosse na festinha da escola, porque as mães de todas as minhas amiguinhas são magras e a senhora é gorda’. No dia a dia, as pessoas sofrem preconceitos em todas as situações. A saúde, no meu entendimento, é uma coisa ampla. Você tem que estar de bem com a alma e com o corpo”, diz o médico-cirúrgico Luiz Vicente Berti, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Os primeiros resultados da cirurgia para redução de estômago foram animadores: 30 quilos a menos. Mas doutor Luiz Vicenti Berti alerta: “Existem pessoas que podem voltar a engordar depois da cirurgia porque acharam que receberam um pacote mágico e que dali para frente não precisam fazer mais nada: praticar atividade física, ir ao médico, alterar o que comia. Essas pessoas podem vir a ganhar peso no futuro, o que é muito mais sério. Seria o efeito sanfona até da própria cirurgia”.
“Não fiz os acompanhamentos que tinham que ser feitos. Então, eu retomei uma parte do peso que perdi”, conta Ricardo, que voltou ao consultório. Fez uma segunda cirurgia, e, desta vez, assumiu o compromisso de encarar o mais difícil: a mudança de hábitos.
“É preciso sempre lembrar de mastigar. Cortar [os alimentos] em pedaços pequenos e mastigar várias vezes. Isso para evitar que você tenha qualquer incômodo com a digestão”, orienta a nutricionista Lorença dal Canale.
“Há muito anos eu vi uma imagem que parecia um semáforo: o vermelho, o amarelo e o verde. Ou seja: vermelho é frear a quantidade do que você come; o amarelo é ter atenção para a mudança de vida; e o verde é se liberar para atividade física intensa. Não existe milagre. Então, não queiram buscar na cirurgia a sua tábua de salvação”, diz doutor Luiz Vicente Berti.
O que existe é esforço, sempre. “Eu sou um novo homem. Tenho muito mais disposição para brincar com meu filho, fazer uma caminhada, subir uma escada e não chegar lá em cima cansado. São coisas com as quais você convive quando está gordo, mas muitas vezes nem consegue se dar conta disso. Só vai perceber quando passa a ter o benefício”, diz Ricardo.
Tudo sobre Beleza
Dicas para Emagrecer
Homens foram feitos para andar, mas passam o dia todo sentados, diz médico
O corpo do Homo sapiens foi moldado para o movimento. Para caçar, nadar, coletar, plantar e, sobretudo, caminhar.
Mas mudamos radicalmente nosso estilo de vida nos últimos anos, tornando-nos cada vez mais sedentários.
Atualmente, a maioria da população passa grande parte do tempo sentada. São, em média, de 10 a 15 horas por dia no carro ou ônibus, no trabalho, em frente à TV. Sem falar nas horas de sono. As pessoas praticamente não andam mais e se movimentam muito pouco, constata o endocrinologista James Levine, da Clínica Mayo, em Rochester, nos EUA, que há dez anos estuda o papel dos movimentos cotidianos (atividades que queimam calorias mas não são exercícios físicos) em nosso metabolismo.
O especialista, autor de “Mexa-se um pouco, emagreça muito” (Ed. Rocco), fez uma fascinante descoberta: as pessoas que se movimentam mais queimam até 350 calorias extras por dia — o equivalente a mais de 15 quilos por ano. Por isso, acredita, a epidemia de obesidade estaria diretamente ligada à imobilidade do homem moderno. E de nada adianta ir com frequência à academia ou mesmo fazer uma corrida matinal, segundo o especialista, se, ao longo de todo o restante do dia, permanecemos sentados. O risco de engordar e de desenvolver problemas cardíacos e doenças como diabetes permanecerá elevado. Em resumo, passar muito tempo sentado é ruim para a silhueta e a saúde. “Nossos ancestrais queimavam tudo o que ingeriam se deslocando, buscando alimento, procurando abrigo, se reproduzindo. Alteramos a nossa maneira natural de viver e nos aprisionamos em cadeiras, atrás de computadores”, afirma Levine.
“A solução deve ser nos tornarmos naturalmente mais ativos.”
Roberta Jansen – O GLOBO
Educação alimentar e exercícios ajudam jovens a perder peso
“Eu comia absurdamente”, lembra o operador de telemarketing Bruno Rangel.
“Eu perdi 45 quilos em um ano”, conta a estudante Camila Apicella.
“Hoje eu como um prato. Antigamente, eu comia dois pratos gigantes”, descreve o estudante Felipe Pereira Lima.
Bruno, Camila, Felipe são três jovens que têm muito em comum: eles enviaram e-mails para o Globo Repórter contando que emagreceram muito em pouco tempo. Mas como? Fazer do primeiro passo uma rotina pode ser a maior dificuldade para quem leva uma vida sedentária. Mas olhe ao redor no lugar onde você mora. Há sempre um parque, uma praça, ou mesmo ruas agradáveis para uma caminhada, um exercício simples que pode ser muito gostoso.
A fórmula de Camila parece simples: educação alimentar e muita atividade física. Mas até que ela descobrisse o caminho certo para emagrecer com saúde fez muita dieta radical.
“Eu comecei fazendo a dieta das proteínas, em que não se come nenhum tipo de carboidrato, só proteína”, conta Camila.
“Ela começou a ficar muito branca, tinha tontura, suava. A dieta terminou mal”, lembra a comerciante Maria Paula Apicella, mãe de Camila.
“Eu passei mal na natação uma vez. Por isso, falo que é o principal é ter acompanhamento médico. Sozinhos, vamos para o lado errado facilmente. Eu já fui”, diz Camila.
Foi o que aconteceu quando Felipe decidiu emagrecer. “Eu não tomava café da manhã. Só almoçava e depois tomava café da tarde. Mais nada. Essa dieta surgiu da minha cabeça mesmo”, conta.
“Ele era gordinho, tinha o rosto rechonchudo. De repente, eu olhei e reparei que tinha alguma coisa diferente. Tomei um susto com o rosto magrinho”, conta Patrícia Pereira Lima, tia de Felipe.
Que perigo! Quem diria que até outro dia Felipe comia escondido?
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